A companhia do medo!
O artigo que você vai ler é um trecho do livro de Joyce Meyer, a cura das feridas interiores. Este livro é chocante pois nele ela conta o seu próprio testemunho de anos de abuso sexual.
A Companhia do Medo
POR CAUSA do abuso sexual e emocional que sofri em meu
lar, minha infância foi cheia de medo. Meu pai me controlava
com sua ira e intimidação. Ele nunca me forçou fisicamente a
submeter-me a ele, mas eu tinha tanto medo de sua ira que fazia
tudo o que ele me pedia. Ele me forçava a fingir que eu gostava
daquilo que ele estava fazendo comigo e que eu desejava que
ele o fizesse.
As poucas vezes em que timidamente tentei falar com
honestidade sobre minha situação foram devastadoras. As
reações violentas de meu pai, sua fúria e cólera eram tão
amedrontadoras para mim que logo aprendi apenas a fazer o
que ele dissesse, sem objeção. Acredito que minha inabilidade
para expressar meus verdadeiros sentimentos sobre o que
estava acontecendo e ser forçada a agir como se eu gostasse
das coisas perversas que ele fazia a mim deixaram-me com
feridas emocionais bastante profundas.
Meu pai trabalhava à noite e voltava para casa cerca de meianoite.
Posso me lembrar como todo meu ser tremia de medo logo
que ouvia sua chave mexendo na fechadura. Eu ficava
completamente tensa, porque eu nunca sabia se ele viria até
meu quarto e tentaria colocar suas mãos em mim, ou se
chegaria furioso com algo de que não gostou.
Uma das coisas mais difíceis para mim era a falta de
estabilidade por não saber o que esperar; eu vivia com medo por
nunca saber o que podia ou não podia fazer. Eu poderia fazer
alguma coisa um dia e meu pai se agradar daquilo, mas eu
poderia fazer exatamente a mesma coisa poucos dias mais tarde
e levar uma surra por isso.
O medo era minha constante companhia: medo de meu pai,
medo da sua ira, medo de ser exposta, medo de minha mãe
descobrir o que estava acontecendo e medo de ter amigos.
Meu medo de ter amigos vinha de dois fatores: se fossem
mulheres, eu tinha medo de que meu pai tentasse atraí-las para
sua armadilha também. Se fossem homens, eu tinha medo de
que meu pai os maltratasse ou a mim. Ele me acusava
violentamente de ter relacionamentos sexuais com os rapazes
da escola. Ele não permitia que ninguém se aproximasse de mim
porque eu "pertencia" a ele.
Durante o ensino médio, nunca me foi permitido ir a um jogo
de futebol, de beisebol ou de basquete. Eu tentava desenvolver
relacionamentos na escola, mas nunca permitia que tais
relacionamentos amadurecessem a ponto de convidar meus
novos amigos para irem a minha casa. Eu nunca deixei ninguém
se sentir livre para me visitar. Se o telefone tocava e era para
mim, eu pensava apavorada: E se for alguém da escola?
Durante todo o tempo, eu estava lidando com o medo, seja de
ter amigos, seja de permanecer solitária, e, assim, não me
envolvia com ninguém a ponto de tornar-se potencialmente um
desastre para eles, e que certamente me causaria mais
embaraço e vergonha.
MEDO! MEDO! MEDO!
Meu pai bebia muito a cada fim de semana e freqüentemente
me levava com ele em suas bebedeiras, bem como me usava
fisicamente de acordo com a sua vontade. Muitas vezes, ele
vinha para casa furioso e batia em minha mãe. Certa vez, ele
bateu nela porque achava que o nariz dela era grande. Ele não
me batia com freqüência, mas creio que vê-lo bater sem motivo
em minha mãe era tão terrível como se estivesse batendo em
mim.
Meu pai controlava tudo o que acontecia ao seu redor. Ele
decidia a que horas deveríamos acordar e dormir; o que
deveríamos comer, vestir; em que gastar; com quem nos
relacionarmos; ao que assistir na TV - em resumo, ele controlava
tudo em nossa vida. Era verbalmente abusivo tanto com minha
mãe quanto comigo e, à vezes, com meu único irmão, que
nasceu quando eu tinha 9 anos de idade. Lembro-me de desejar
desesperadamente que o novo bebê fosse uma menina. Eu
pensava que, talvez, se houvesse outra menina na família eu
poderia ser deixada em paz, ao menos parte do tempo.
Meu pai nos amaldiçoava quase constantemente, usando uma
linguagem extremamente vulgar e obscena. Ele era crítico a
respeito de tudo e de todos. Em sua opinião, nenhum de nós
fazia nada certo ou algo que valesse a pena. A maioria do
tempo, éramos lembrados de que "não prestávamos".
As vezes, ele agia de forma justamente oposta. Ele nos dava
dinheiro e nos dizia para fazer compras; algumas vezes, até
comprava presentes para nós. Mas era manipulador e
controlador, fazendo o que precisasse para alcançar o que
desejava. Outras pessoas não tinham valor algum para ele,
exceto ao usá-las para cumprir seus propósitos egoístas.
Não havia paz em nosso lar. Realmente eu não sabia o que era
a paz real até crescer e mergulhar na Palavra de Deus por muitos
anos.
Nasci de novo com a idade de 9 anos, enquanto visitava
parentes fora da cidade. Uma noite, fui com eles até uma
reunião da igreja, pretendendo encontrar a salvação. Não sei
dizer como percebi que precisava ser salva, mas Deus deve ter
colocado esse desejo dentro de meu coração. Aceitei Jesus Cristo
como meu Salvador naquela noite e experimentei uma gloriosa
purificação. Antes daquele momento, sempre me sentia suja por
causa do incesto. Mas ali, pela primeira vez, me senti limpa,
como se tivesse recebido um banho interior. Contudo, como o
problema não terminou, assim que voltei para casa meu antigo
sentimento retornou. Eu pensava que tinha perdido Jesus, e
assim eu não conhecia ainda a paz real e a alegria interior.
Ainda estou aqui!
Depois de passar por todas as provas, tempestades, vendavais, desafios, lutas e desertos, bata no peito e grite para o mundo inteiro ouvir: Ainda estou aqui!
Trecho do novo livro que estou escrevendo!
Estou escrevendo meu primeiro romance, baseado numa história real. Leia um dos capítulos e de a sua opinião!
Durante o trajeto o Jorge falava sem parar a respeito de tudo, mas eu respondia apenas com hum, hum, sim, não, porque aquele sorriso maravilhoso da Claudia incendiou minha alma, e sua figura dominou por completo a prioridade dos meus pensamentos. Simplesmente não conseguia parar de pensar nela.
Quem era ela? Que idade tinha? Quais eram seu sonhos? Por quanto tempo ficaria por ali? Para onde seguiria viagem? Ou não seguiria viagem? Não tinha visto aliança no dedo esquerdo e nem no direito. Será que estava comprometida com alguém? Me angustiava só em pensar que ela estivesse namorando alguém. Mas que coisa! Apenas a vi por um instante e já estava me angustiando da possibilidade dela estar compromissada com alguém. Por que eu sentia a sensação de conhece-la a muito tempo, quando apenas tinha me embriagado com seu sorriso!
Uma tempestade de idéias vinha a minha cabeça a respeito daquela moça recém-chegada do Brasil e pouco a pouco fui mergulhando em tantas perguntas a respeito dela que fui ouvindo cada vez menos o Jorge que matraqueava ao meu lado.
Concentrei-me nas lindas paisagens formadas pelas plantações nas quintas ou sítios que mesclavam plantações com a criação de animais como as ovelhas e mergulhei em mil e um pensamentos a respeito daquela figura que acabara de conhecer e que mexeu com a minha cabeça.
Pensei que por estar há muito tempo fora de casa, estava carente, por isso estava me encantando com a hospede do Pastor Zé Maria. No entanto lembrei-me também de quantas portuguesas encantadoras havia encontrado pelas igrejas portuguesas e não sentira nada igual por nenhuma delas.
Estava indo para a igreja, mas já estava com vontade de voltar para ficar perto dela. Estava com saudades de quem eu vira a meia hora atrás e que parecia conhecer a muitos anos.
- Cristiano... Cristiano você esta a me ouvir? Desperte. Está pensando em que? Esta tudo bem? – Era o Jorge me despertando de meus pensamentos.
- Ahhh... esta tudo bem Jorge, estava apreciando a bela paisagem rural... Pois fui criado em um belo sítio ou quinta como vocês chamam aqui. – Respondi tentando disfarçar minha falta de atenção.
- Estamos chegando a Igreja do Pastor Joaquim. Ele é um irmão muito querido, que está há muitos anos a frente desse ministério. – Explicou Jorge, dando-me o nome do Pastor que nos receberia naquela manhã.
- Ok Jorge. Que Deus nos abençoe na palavra. – Respondi agora me concentrando na mensagem que iria trazer para aqueles queridos irmãos que ainda nem conhecia.
- Terminado aqui, voltaremos para almoçar com o Pastor Zé Maria. Hoje a irmã Elda ficou preparando um delicioso Bacalhau a Zé do Pito para você e as irmãs brasileiras. – Disse Jorge tentando explicar como seria a agenda depois do culto.
- Estou impressionado com o amor e a abnegação com que o Pr. Zé Maria e a Irmã Elda recebem as pessoas naquele casarão. Falei tentando expressar minha admiração pela atitude de nossos anfitriões.
- Eles sofreram muito na guerra em Angola. Tiveram que fugir para Portugal. As pessoas quando sofrem muito, acabam se tornando solidárias. Creio que esse é o caso do Pastor Zé Maria. –Explicou Jorge, dando a entender que ele também passara por poucas e boas provações.
- Veja bem Jorge, eu escrevi do Brasil para ele e pedi que hospedasse a mim e ao meu amigo Fernando e ele sem titubear, nos recebeu com tanto amor. –Falei lembrando da camaradagem do amigo. – Agora estas missionárias e tantos outros de outros países que eu já vi se hospedarem na casa do pastor Zé Maria...
- E eles vivem apenas de uma aposentadoria que ele tem. – Explicou Jorge dando ainda mais importância ao gesto deles. – Mas nada lhes falta Cristiano. Sempre tem em abundância.
- Quando olho para pessoas assim, penso que estes são os anjos em carne, que Deus colocou nesta terra para ajudar os necessitados. – Falei meditando na grandeza do ideal dessas pessoas.
- Pastor Zé Maria pode ser um anjo, mas é um anjo de gênio difícil. – Completou o Jorge.
- Sem dúvida que é... –Respondi soltando uma gargalhada.
Naquele momento o Jorge já estava estacionando o mini em frente a um salão humilde com uma placa pendurada que dizia: “Igreja maranata. Sejam todos bem vindos”. Ao entrar fomos recebidos por alguns irmãos que faziam o acolhimento das pessoas e logo fui apresentado ao Pastor. Um senhor de aproximadamente sessenta anos de cabelos grisalhos, de bigode e bem gordo que me recebeu com um abraço caloroso e um “bem vindo amado irmão”.
Foi um culto memorável. Logo fui chamado para dar a mensagem e, bastante inspirado, falei sobre a importância da fé na vida do cristão. Terminada a mensagem, orei pelas pessoas e, terminado o culto tivemos um momento de convívio com os irmãos e já era quase uma da tarde, quando pegamos o caminho de volta.
Chegamos a casa beirando às duas da tarde e, já estavam nos aguardando para servir o almoço. Entrei no casarão olhando para todos os lados, procurando a moça do sorriso, mas ela estava no quarto descansando da viagem. A irmã Elda estava na cozinha fazendo os últimos praparativos. A mesa estava posta com o Pastor Zé Maria sentado a cabeceira, assistindo a televisão que ficava do outro lado da copa, sobre uma cômoda.
Lembrei-me da primeira vez que viera com o Fernando e nos sentamos para jantar bem ali e ele estava assistindo ao noticiário. E eu tentei falar alguma coisa e ele me disse: - Cala-te. – e continuou assistindo ao noticiário como se não tivesse mais ninguém ali. Assim que o noticiário terminou ele se voltou para nós conversando normalmente como se nada tivesse acontecido. – Os amados irmãos fizeram boa viagem, pois não?
Olhei para o Fernando, com um desespero no olhar, como quem diz: -Onde viemos parar meu amigo?
